Tem dia que de noite é assim mesmo
por Cleverson Bravo*
foto Ivan Gama

Com a petulância do clichê do título, atendo ao conclame dos mestres, e mentores do trabalho, para escrever algumas linhas a respeito das experiências vividas no auditório do bloco 6 da UniBrasil, na noite da quinta-feira, 28 de maio. Escolhi isso para a vida, e fazê-lo nunca é demais.
Como não são demais quaisquer problemas, quando se reúnem pessoas movidas pelo mesmo intuito, imbuídas do mesmo ideal, motivadas para superar os limites que nosso comodismo inconsciente insiste em impor. E já que falamos de jornalismo, não há maior autenticidade que a cobertura ao vivo.
As palavras escritas e faladas, sem pensar duas vezes (o que não quer dizer inconsequência, mas contingência do ritmo frenético que deve deixar a impressão da maior naturalidade possível ao público), são o que há de mais legítimo nessa profissão formidável. É também a saída mais arriscada, em um meio onde o risco pode ser parâmetro de caráter.
Desde que alguém me falou que eu poderia ser um dos promotores num júri simulado, ainda no 2º período, com a ré sendo a Indústria Cultural (!), a vida acadêmica me ensinou como as maiores e mais marcantes experiências, nem sempre estão exatamente na sala de aula, depois da chamada.
Mas na verdade, quando a pressão não é pela média ou pela nota, e sim pelo compromisso de expor o próprio trabalho, e com isso, as próprias convicções e inseguranças. Em última análise, a possibilidade valorosa de testar a prática com os contratempos da realidade. Enfrentar o imprevisível, dar de cara com o diferente. Não se pode formar um profissional, na acepção do termo, por outra fórmula que não essa.
* Acadêmico do quinto período; não flerta com a política, embora não seja apolítico.

Bravo, Cleverson. Há um componente impossível de ensinar para um grande profissional, que é a paixão. O máximo que podemos fazer é inspirar. Certamente, você é professor nesse quesito.